Will Sammpaio

Will Sammpaio

As superfícies de Will Sammpaio

“Vá até onde a sua vista consegue alcançar e, ao chegar lá, verá que existe muito mais para ver”. Como todo fotógrafo que procura debruçar seu foco além da derme, Will Sammpaio é, antes de mais nada um observador inconformado. Talvez por isso sua lente persiga tanto aquilo que, a olho nu, quase não dê para identificar. Não se trata de desconstruir cenários reais a partir de abstracionismos de pós-produção, tampouco de distorcer a mesma realidade com um super zoom ou quaisquer outros recursos sintéticos que configurem uma técnica específica que possa ser rotulada. Artista paulistano nascido em 1980, cursou o Instituto Internacional de Fotografia e desde então iniciou um processo profundo de pesquisa de imagens da natureza em sua forma mais viva, revelando uma poética que evita a obviedade das paisagens e captura novos prismas, contornos, ângulos, cores, luzes e movimentos, classificados por ele como “não notados”, aquilo que está em constante transformação, “que nunca mais se repetirá: o ar, a água, a luz e seu respirar”, em suas próprias palavras. Um gesto orgânico e sensível, no filter, que explora de maneira quase sinestésica as texturas e suas nuances mais antagônicas, de fora para dentro. Assim vem dissecando tomadas espetaculares em suas andanças pelo mundo.

Em seu novo projeto, Superfícies, traça uma dialética consigo próprio, mas compartilha suas (in)conclusões com uma plasticidade ímpar, de forte impacto visual. “A luz que a coreografia das águas revela ao ritmo dos ventos, assim como as muitas eras necessárias para esculpir as rochas, estimulam todos os meus questionamentos sobre o que é ser humano. A única resposta que encontrei até o momento, a que está dentro de mim, decodifiquei nesta nova série. O reflexo de si mesmo em suas bordas, quase uma metáfora da ferramenta mais fundamental do cotidiano: se observar, nem que por instantes. E daí indago: você é o que você vê?”. Para ele, um anti-narciso, o espelho das águas revela com precisão a sua realidade, a verdade, o inevitável, ainda que com a dança das camadas provocada pelo movimento. Ironicamente, com a bossa cara aos artistas cujo olhar atravessa qualquer invólucro, a coleção Superfícies, composta por obras verticais com dimensões variadas, vem encapsulada por uma caixa de acrílico de alta espessura, montagem inédita no Brasil, que eleva o trabalho a novas possibilidades de percepção, luz, cor, movimento e beleza. Afinal, quando alcançou o mundo, Will Sammpaio descobriu que havia muito mais a ser visto.