sudário – allann seabra – dezembro 2018

sudário – allann seabra – dezembro 2018
23 de novembro de 2018 zweiarts

Agora denominada Bianca Boeckel Galeria e com nova área expositiva, em sua última mostra do ano, “Sudário”, investiga a utilização do próprio corpo do artista como instrumento para sua produção.

A Galeria VilaNova encerra o ano com novidades. No mesmo endereço, agora se chama Bianca Boeckel Galeria, com um espaço expositivo mais amplo, novos artistas em seu portfólio e extensos projetos internacionais para 2019, além da participação em feiras nacionais e no exterior. Para encerrar 2018, exibe a individual “Sudário”, do artista visual paulistano Allann Seabra, sob curadoria de Ricardo Resende. A mostra apresenta cerca de 18 obras – entre pinturas, gravuras e fotografias -, e explora a liberdade na utilização do corpo do próprio artista para produzir seu trabalho, ao eliminar ferramentas e instrumentos tradicionais da pintura, marcando assim o suporte com o rastro da presença de uma figura humana. Ainda serão exibidas gravuras e fotografias, em uma abordagem completa de todas as linguagens com as quais o artista tem afinidade.

O trabalho artístico de Allann Seabra tem origem na música erudita, sua primeira formação. Já nas artes visuais, iniciou sua produção com esculturas criadas a partir de objetos que eram descartados da fábrica de sua família. Da escultura, passou a se dedicar à gravura, em matrizes que gravou sobre a partitura de uma música de Beethoven. Agora, em “Sudário”, apresenta sua produção mais recente no campo da pintura, cujo resultado é obtido unicamente pela ação do corpo do próprio artista – coberto de tinta – sobre a tela, sem a utilização de instrumentos como pincéis ou espátulas. “Dessa forma, o artista investiga seu corpo e desdobramentos, em uma íntima relação com a pintura. O resultado é intrigante, forte e belo”, comenta a galerista Bianca Boeckel.

Inspirado principalmente pela série “Antropometria” (1960), de Yves Klein – em que modelos nuas eram cobertas de tinta, e posteriormente se “carimbavam” em telas ou eram arrastadas sobre o suporte, imprimindo assim as obras icônicas do artista –, Allann Seabra faz uso deste processo como referência, porém utilizando seu próprio corpo. Em suas observações: “Acredito que desta forma, o artista se aproxima ainda mais de quem terá contato com a obra, seja o espectador ou o colecionador”. O título “Sudário”, meramente poético, propõe a evidência da presença de um corpo na elaboração da obra.

Se, por um lado, Allann Seabra busca uma libertação em relação às técnicas tradicionais, por outro, se preocupa com uma coesão estética, um equilíbrio pictórico e de contraste. “Os movimentos são abstratos e sensoriais, em gestos largos, espaçados como em uma música. Não são planejados, mas o resultado sim. Em telas de grande porte, busco transmitir uma sensação de explosão de movimentos, texturas, de expressão”, conclui o artista.